quarta-feira, 13 de maio de 2009

A prova do Carbono 14

A técnica do carbono-14 foi descoberta nos anos quarenta por Willard Libby. Ele percebeu que a quantidade de carbono-14 dos tecidos orgânicos mortos diminui a um ritmo constante com o passar do tempo. Assim, a medição dos valores de carbono-14 em um objeto antigo nos dá pistas muito exatas dos anos decorridos desde sua morte.

Esta técnica é aplicável à madeira, carbono, sedimentos orgânicos, ossos, conchas marinhas - ou seja todo material que conteve carbono em alguma de suas formas. Como o exame se baseia na determinação de idade através da quantidade de carbono-14 e que esta diminui com o passar do tempo, ele só pode ser usado para datar amostras que tenham até cerca de 50 mil a 70 mil anos de idade.”


Ou seja, é uma forma de “olharmos pra trás”, para o passado do carbono. Estranhamente, por mais provável que isso possa parecer, mesmo cientificamente, o “passado” para o carbono é conveniente. O Sudário de Turim, por exemplo, fora submetido ao teste, e comprovado que ele é muito mais recente que a data da crucificação de Jesus. Por mais que observemos documentos, fotos, relatos e locais, existe sempre um Mahmoud Ahmadinejad pra dizer que “O Holocausto não aconteceu...” e assim segue a lista, embora todos nós crescemos ouvindo na escola a famosa frase “estudamos história para não repetirmos nossos erros do passado”.


Essa “inconsistência conveniente” é cada dia mais visível, cada dia mais real que o próprio carbono. A lei HADOPI transfere para a internet, ou melhor, para os carbonos digitalizados (a.k.a. Interneuta), a responsabilidade sócio-econômica de uma sociedade completamente desamparada financeiramente e sem a menor pretensão de apostar em novas possibilidades. Ao passo que o universo virtual se mostra dinâmico, explorador, receptivo a novos ideais, conceitos e reformulações, o carbono se mostra cada vez mais acomodado, inseguro e sem capacidade de mudar e alimentando um método de enriquecimento que despreza o trabalho e reverencia a esperteza, a idéia que nada é mais que uma fagulha necessária.

O Trabalho enriquece o homem, não a única concepção de algo.

Enquanto algumas poucas almas percebem o valor de um “manifesto cluetrain”, do conceito econômico do “tecnobrega”, os poderosos se valem de suas canetas e posições para defenderem uma ordem econômica flácida, decadente e degradante.

Napster, Piratebay, kazaa, são apenas 3 doas mais famosos casos que, no final, representam “mais do mesmo”. E não se há de acabar com esta situação. O conceito de compra não será abalado se as pessoas trocarem arquivos, seja áudio, vídeo ou dados. Uma significativa queda ocorre, não por trocas de p2p, mas pelo demasiado valor desses produtos dentro de classes econômicas que sequer podem obter sustento de “qualidade” ou de “maior valor”.

Como comprar um CD (em média R$30,00 – nacional), como ir ao cinema (média R$20,00 – somente entrada), se a média sálarial no Brasil é de 2,4 salários mínimos – R$1.116,00 ? Isso por que este mesmo dinheiro ele tem que alimentar-se, pagar despesas diversas, cuidar da saúde, filhos, e outras coisas mais...

Não há como deixar de notar que Nicolas Sarkozy tenha se interessado tando com direitos autorais APÓS sua digníssima mulher, Carla Bruni se tornar cantora...

Um carbono careca disse:

“A promessa da Internet é o retorno da voz. Esse retorno se dá pela apropriação da tecnologia e pelas inúmeras possibilidades de usar o sistema homem_máquina_protocolo em benefício do sujeito e da comunidade. O caminho do controle é o mesmo do que aquele proposto pela liberdade. Temos, então, que mudar a abordagem, ou olhar de viés.” (Hernani Dimantas)


Ele está certo, mas apenas no futuro. Hoje, a internet é o bode espiatório dos tormentos antigos da humanidade, dia-a-dia mais visíveis. Ao passo que a realidade se decompõe a passos largos, cada vez mais os carbonos digitalizados se multiplicam e trazem para o virtual seus mesmos maus hábitos, descrenças e desvalores. Assim, como forma de desabafar e remover suas frustrações reais, aquilo “impraticável” na realidade, torna-se real no virtual e é novamente condenado por um olhar de fora, isento.


Afinal, “eu jamais faria isso na vida real”.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Triste fusão entre dois mundos (final)

Continuando...

O que quero realmente dizer é que, hoje em dia, dentro de um universo físico tão "globalizado" pela comunicação e sociabilização digital, o processo de convívio humano torna-se cada dia mais rico, mais informativo, mais enriquecedor. Ao mesmo tempo, da mesma forma que os marinheiros e descobridores no mundo real traziam em suas bagagens e pilhagens novas riquezas, traziam também novas doenças, novos vírus e comportamentos diferentes.

O carbono observa, estuda, apropria e se utiliza de qualquer coisa, qualquer um, qualquer lugar. No universo virtual, não há diferença em sua postura. Ele também observa, navega, instala, bloga, lê, utiliza software proprietário ou livre.

A diferença só se faz aparente no próximo passo: só se faz presente quando existe a "frustração". Quando o carbono não consegue assimilar o que está no virtual e é forçado a "pedir uma explicação sobre..." ou um exemplo de "como utilizar...".

Assimilar culturas ainda é e talvez
seja sempre o maior desafio do carbono.

Da mesma forma que a alta velocidade da fibra ótica no traz todos os benefícios que procuramos, traz consigo toda carga de prejuízos e malefícios que qualquer via de transporte pode nos trazer enquanto carbono. Numa simples conversa, podemos nos enriquecer e automaticamente chamar de "conversa civilizada" mas também podemos não concordar com o locutor e chamar de "fofoca".

Hoje, existe uma nova doença: a cyber-hipocondria. Ela atua exatamente da mesma forma que a hiponcondria do universo físico, porém, na internet, ela tem muito mais adeptos, ou mais "infectados".

O "cyber-hipocondria" age da mesma maneira que o hipocondriaco - apresenta o constante medo ou psicosomatiza o estado de um doente em emfermidade grave. Assim vem sendo o comportamento da maioria dos "newbies" ou dos novos usuários de internet. Também podemos notar este comportamento naqueles usuários mais arraizados no carbono.

Acredito que hoje, muito mais importante do que discussões sobre flata de informação na internet, conteúdo impróprio ou invalidado, restrição ou controle na internet, é muito mais importante iniciar um estudo sobre este movimento hipocondriaco tecnologico e trabalhar isso, antes que esta praga se espalhe com a mesma rapidez de um spam.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Velhas Fórmulas de Sucesso Vs. Novas tecnologias (pt1)

Existem pessoas que, ao se depararem com o vasto universo digital, ficam maravilhadas com as possibilidades infinitas de ser e poder, estar e conhecer. Começa então, um processo, um sentimento, uma idéia... Brilhante! sempre....

O que faz com que essas pessoas ajam de tal maneira? O que desencadeia este sentimento de vitória? O que motiva essas pessoas para uma nova possibilidade, antes tão distante e agora, com um simples "clique" tão perto??

Seria talvez a estática, a eletricidade por traz dos "bits e bytes" atrapalhando suas conexões neurais ou talvez a magia dos "16 milhões de cores"?

As pessoas se deparam com algo desconhecido, caótico, instável e, mesmo assim, acreditam em uma mudança tão radical em suas vidas, que despendem horas tentando, sozinhas ou coletivamente, definir um padrão, um conceito, e automaticamente, praticam, aprendem e consolidam a tolerância, o respeito.

O que realmente me preocupa é saber que elas não são mais capazes de fazer o mesmo, na realidade de carbono.

Os seres de carbono, pouco a pouco, perderam o brilho, e por este motivo, as brilhantes telas de plasma os fascina e os faz sentir-se capazes de mudar suas vidas, quebrar seus paradigmas, resolver seus mistérios...

Telas de plasma são até mesmo quentes, além de brilhantes... será que preenche o frio de suas vidas sem brilho?

Por que as pessoas estão tão mais vivas na internet do que na prisão de carbono?

Tenho a impressão que foram podadas demais. E essa discussão já começa a acontecer na internet, quando falamos sobre "controle de registros", leis e possibilidades de limitação.

Nada disso me amedronta, nada disso me aflige. No carbono, às vezes, sou visto como selvagem, cruel, frio, ou até mesmo desrespeitoso.

Comparativamente falando:

No carbono, quando falo, o CAPSLOCK está sempre ativo

No carbono
, quando menciono "não dar tanta importância pro trabalho", é por que vivo num HYPERTEXTO, que pode me levar a lugares inesperados, bons ou ruins.

No carbono
, meu AVATAR é mutável, explorado, criado por mim mesmo, com ou sem a ajuda de muitos

No carbono
, o respeito mútuo e colaborativo ESTÁ PRESENTE no meu dia-a-dia...

Quando as pessoas voltarem um pouco mais para o carbono, perceberão que a internet não é um monstro incontrolável, nem a panacéia universal. Vão perceber que a solução está lá, e aqui, no REAL. Que podem co-existir em harmonia, consentimento, e aprender um com o outro.