
O que são Redes Sociais?
Definições não faltam. Experimente buscar no Google ou Wikipedia o um único conceito de rede social e verá que entre muitas, você pode concordar com mais de uma delas.
Uma rede social pode vir de plataformas digitais – Orkut, Facebook, Linkedin – ou ter seu formato mais orgânico – Família, Bairro, Condomínio. E, em qualquer uma dessas “plataformas”, sempre haverá o que podemos classificar como “profeta” e “gerente”.
Vamos ver a plataforma “Família” como exemplo:
Em uma família, independente do tamanho de seus componentes, sempre existe um ou mais indivíduos que vão gerenciar o rumo daquela “rede”. Sempre haverá alguém que dirá: “Nossa família seguira um modelo X ou Y... não será permitido este ou aquele comportamento dentro dos membros de nossa família”. Sendo assim, o conjunto de regras para a utilização daquela “rede social” vai se construindo.
Da mesma forma, existem “profetas familiares” que dirão o que este ou aquele indivíduo fará baseado em seu passado ou com olhar em seu “futuro”. Quase sempre, esses indivíduos são considerados experientes... Mas nem sempre o que é profetizado ocorre.
Isso ocorre por que a experiência, a vivência em rede, é uma ocorrência individual, única e por melhor documentada que esteja, ainda assim é exclusiva para um indivíduo. É como passar nossa experiência “de pai para filho”. Não necessariamente o que me fez bem, fará a meu filho ou a outro indivíduo qualquer. Mas a regra diz claramente que minha experiência deve ser compartilhada, experimentada, vivenciada e documentada. Em lugar nenhum está escrito que será uma Verdade Absoluta.
Tanto os Profetas, quanto os Gerentes de Redes sociais se esquecem do fator de apropriação tecnológica que é exclusiva, é individual, é única embora possa ser compartilhada, consultada, afiliada. Por isso, na internet, o numero de profetas e gerentes tende a crescer, assim como em uma família unida – ou não – onde uns zelam pelos outros ou pela própria unidade familiar – a Rede em si.
Uma rede social pode ter múltiplos objetivos, sem que os participantes sequer percebam. Objetivos estes oriundos de cada participante. Ao mesmo tempo, essa mesma rede pode ter um objetivo pré-acordado entre seus componentes e ainda assim, por mais esquizofrênico que isso possa parecer, o objetivo final, uma vez alcançado, surtirá efeitos completamente diferentes em cada indivíduo daquela rede.
Tudo isso ao mesmo tempo significa que:
Gerentes e profetas têm seu grau de importância, mas estes não são a verdade absoluta.
As redes são organismos vivos, imprevisíveis, mutáveis, inconstantes e assim sendo, não há como determinar seu inicio, meio e fim, assim como seu propósito absoluto ou seu objetivo real.
Uma boa rede deve ser simplesmente vivida, deve ser observada, deve ser coletiva, aberta, mas ao mesmo tempo respeitada com costumes, tradições, objetivos e realizações. A força de uma rede vem da multiplicidade individual de seus componentes, da forma com que lidam com seus pares e seus adversos. Como cada um, dentro daquele grupo, respeita e recebe a diferença do outro, sem a necessidade de arbitragem entre ou contra outras redes.
Como uma família, com seus costumes, métodos, objetivos e regras, sempre existirá um gerente para tentar formatar da melhor forma possível aquela convivência e sempre haverá um profeta que dirá pra onde vão, ou o que acontecerá, mas, famílias não se intrometem em outras famílias através de imposições, mas sim de conversas e aceites. Entre observações e tolerâncias. Elas não devem competir em seus “modelos”.
Vivenciar uma Rede Social é perceber que assim como as redes orgânicas, podemos tentar dirigir e profetizar, mas o nascimento de cada indivíduo é único, imprevisível, incontrolável e o grande segredo é como iremos nos aproveitar e acolher aquilo que não podemos dirigir e não podemos profetizar suas decisões e como essa diferença nos fará mais forte e inteligente.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Redes, Profetas e Gerentes
Postado por Jack Lake às 10:41 0 comentários
Marcadores: comportamento, comunidades, facebook, familia, google, linkedin, orkut, redes sociais
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Twitter como Personal Banner

Dentro da internet, em quase qualquer pagina, quase qualquer lugar, lá estará ele. Como os antigos outdoors, que lutamos tanto pela sua derrubada. Rápidos, com poucas palavras, e nos levando para algum lugar: o famoso Banner de Pagina.
Twitter, identificado a primeira vez como um microblog... Um conceito de blog de poucas palavras. Algo como aquelas antigas caixinhas com cartõezinhos de frases bacanas, provérbios ou salmos da "casa da vovó".
O que fazer? Como explicar em 140 toques o que é o twitter? É uma rede social, só por que é possível associar-se através de identificações de quem são os carbonos que você conhece? Ou por que você pode fazer parte de algum canal ou movimento simplesmente adicionando # ? Ou talvez por que ele te leve a "seguir" pessoas que você não conhecida e que foram indicadas pelos seus amigos...
É um super banner por que pode, em poucas palavras, levá-lo a um lugar que não necessariamente era o que você imaginava? Ou talvez por que ele faça “propaganda” de alguma coisa ou alguém como se você realmente “consumisse” ou “compartilhasse” aquele pensamento?
Hoje até discuti com uma das entidades de carbono mais citadas pelo mundo virtual tentando entender a lógica da simples repetição seca. Ele defendeu a cultura de conversações, mas não entendi muito bem o que ele queria dizer. Ele disse algo como "... a redundância em exagero nos leva a incomunicabilidade..." e ele é um dos caras que mais repete frases dos outros (dando sempre o crédito, claro) mas eu queria a opinião dele... acho até que essa frase é de um carbono conhecido como Arnold Hause... nas eu não tenho certeza, só tenho a internet.
Como velhas propagandas nazistas jogadas dos aviões onde as pessoas carregavam junto a elas para casa e, por medo de serem mortas, muitas vezes repetiam os dizeres ou entregavam a outros como “sinal partidário”.
Repetir sem questionar, opinar ou direcionar é como o copiar e colar de uma maquina programada para “fazer parte”.
Repetir simplesmente é como falar, mas não se responsabilizar pelo que foi dito.
É como atestar a existência da terra quadrada por medo da santa inquisição.
É o que fazemos ao imitar nossos ídolos ao invés de suas ideologias.
E o twitter vem servindo como esse “personal banner”, dentro de uma lógica de rede social onde ainda se repara em “Quem se segue” e não “O que é seguido”.
Postado por Jack Lake às 17:44 0 comentários
Marcadores: comportamento, nazismo, Propaganda, Sergio Amadeu, twitter
segunda-feira, 8 de junho de 2009
O carbono e o Campo-minado
Uma analogia, uma tentativa de ilustrar nossa visão e comportamento nas redes sociais.
Todo mundo deve conhecer, já ouviu falar ou jogou “campo minado”, ou Minesweeper, certo? Até por que ele está presente em quase todos os sistemas operacionais que existem.
Vamos imaginar:
O Campo – Uma interface de uma rede social qualquer, seja Orkut, Facebook, Linkedin ou qualquer outra que lhe seja familiar, agradável ou simpática.
Os quadrinhos Não clicados - Possibilidades. São pessoas, indivíduos, outros avatares na infinita rede que podem estar contidos naquela rede social representada pelo campo.
Os quadrinhos clicados COM NUMEROS – Indiferente do valor, ele representa um avatar o qual você se conectou através da rede social escolhida. Quanto ao valor do numero, quanto maior, maior o grau de credibilidade que VOCÊ atribui a ele que, por sua vez, indica possíveis avatares os quais podem vir a ser prejudiciais.
Os quadrinhos com minas – representam potenciais conexões, avatares ou perfis potencialmente danosos, negativos ou de má indole.
Terminado o jogo – você ganhou!
Observe que os números permanecem lá. Existem casas (avatares) que você clicou e que simplesmente sumiram, revelando espaços abertos. A este fator, diremos que são usuários da rede, os quais você tem chance de estabelecer conversas pelo simples fato de participarem da mesma rede mas que não estão necessariamente ligados a você ou que não trocaram conversas, não construiram informação, pelo menos não diretamente com você.
Você tem mais quadrinhos com numeros OU minas? Se você ganhou a resposta é: Mais numeros. As minas, geralmente, representão apenas 10% do mapa (que pode ser customizado, conforme sua vontade).
Nessa análise, isso quer dizer que você tem muito mais possibilidade de bons contatos do que “minas” ou “maus contados”. Também indica um número muitas vezes maior de possibilidades de estabelecer novos contatos a partir do zero, sem saber se será uma “mina” ou não.
As minas existem. Avatares ruins também. Mas assim como nas redes sociais “virtuais”, na sua vida real você também possui infinitas possibilidades de esbarrar em uma unidade de carbono minada. E mesmo assim, a definição de “minada”, em uma unidade de carbono dentro do mundo virtual, é atribuida por analises de pessoas que não necessariamente os conhecem.
Como na vida real, hoje estamos observando os “perfis do orkut” procurando pelos “avatares minados”, dando muito valor aos avatares numerados sem sequer conhecermos – sim por que, cada partida é única para cada jogador e representa sua própria rede social em contextos e formatos que somente ele poderá explicar.
Temos medo de nos linkarmos a “avatares velhos de infância”, ou melhor dizendo, a antigos amigos que nos fazem a diferença no universo de carbono, mas que dentro dessa nova “rede social digital” ele é aos olhos de outros, potenciais “minas”.
Veja bem – ainda assim, temos mais numeros do que minas, mais possibilidades desconhecidas do que minas... por que só reparamos nelas? Por que escondemos os não tão famosos na realidade virtual e ficamos apenas com os bonitinhos? Os inteligêntes? Os descolados? E aquele monte de outros que nem sequer estabelecemos contato, só seguimos pra dizer: “olha, como sou bacana; eu SIGO fulano-de-tal”. Onde está nossa cara quando dizemos: “Aff, desculpa, mas seguir aquele avatar (aquela unidade de carbono) é muito mico... ele nem tem tantos seguidores” mas no final do dia, lá está você sentado no balcão do happy hour, ouvindo piadas engraçadas, com esse mesmo avatar.
Gostaria que as pessoas olhassem mais para este jogo chamado “rede social” e decidissem como querem jogar. Eu voto por adicionar meus amigos não-tão-descolados, os feios, os meio chatos, os burrinhos, e afins... e tô fora de gente que eu não conheço, não concordo ou não entendo.
Esse é meu jogo, é assim que quero jogar.
Gera, valeu pela breja e pela reflexão ;)
Postado por Jack Lake às 15:30 0 comentários
Marcadores: campo minado, comportamento, comunidades, facebook, linkedin, orkut, redes sociais
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Hipocrisia Digital (parte 1)
A troca de valores no mundo digital é algo que não podemos ignorar. Muitas vezes, ficamos chocados quando ouvimos dizer que as pessoas “mentem em seus perfis” em redes sociais, achamos que elas fazem “mal uso” da internet, por perderem horas a fio em bate-papos e comunicadores instantâneos, e completamente estarrecidos, quando adolescentes gastão dinheiro REAL comprado itens e acessórios virtuais para jogos online e comunidades.
Antigamente, se dizia:
Filho, não fale com estranhos. - Não fique encarando as pessoas. - Tenha sua própria opinião. - Não imite ou repita o que as pessoas dizem.
Hoje na internet, o cenário pode ser visto ao contrário:
Nos sites de relacionamentos, comunidades, fóruns, as pessoas procuram quem tem mais “estrelinhas”, mais “seguidores”, e automaticamente passam a adiciona-las como amigos.
Comentam suas conversas como se fossem amigos íntimos, que cresceram juntos. Entram em discussões entre seus “novos amigos de infância” com outros “futuros grandes amigos ilustres” e já vão colocando o dedão na cara e dizendo coisas como: “Fulano de tal” (ilustre celebridade) jamais faria isso. Sempre acompanhei a vida dele por aqui (fórum, comunidade ou perfil) e sei muito bem quem ele é...”
A opinião é tão volátil quanto o numero de seguidores que se tem – Hoje, posso defender a bandeira do “software livre” de peito aberto, gritando aos 4 cantos, afinal tudo depende de quem ou quantos) está (ão) me olhando. Mas, se surgir uma vaguinha milionária na Microsoft, ou ganhar aquele Notebook HP lindão (que já vem com todos aqueles softwares proprietários malignos) que eu sempre quis e ninguém estiver olhando... é, tenho que admitir que o bom e velho pacote Office quando instaladinho completo, é muito bom mesmo...
Lembra daquela brincadeira CHATA pra caramba que a gente fazia quando pequenos pra irritar alguém, meramente por que era divertido? Aquela de repetir IGUALZINHO qualquer coisa que alguém dizia ou fazia, tipo uma cópia ou um espelho? Então, hoje, na internet, o nome desse jogo é “Brincar de RSS”. Ou seja, você pode montar uma página, um blog, um fórum ou uma comunidade e simplesmente “prestar este serviço” de repetir, copiar o que outras pessoas (seus amigos ilustres, por exemplo ou outras celebridades”) escreveram e pronto! Ali está um blog digno de ser comentado.
Postado por Jack Lake às 10:19 2 comentários
Marcadores: bate-papo, comportamento, comunidades, fóruns, hipocrisia
