
Fora da holografia*, a sociedade convive com os mais diversos conflitos.
Estranho seria então esperar que, dentro do universo virtual o carbono se comporta-se de forma diferente. As mesmas regras de conduta, etiqueta ou convívio, ultimamente vem sendo aplicadas dentro dessa nova esfera de convívio humano, e da mesma forma que no exterior, com a globalização, popularização de ferramentas de facilitadoras de comunicação etc, essas mesmas regras vem se modificando, se atualizando, descobrindo novos formatos, expressões, formas de convívio, aceitações, tudo para que possamos co-existir no ambiente virtual pois, para muitos no universo físico do carbono, isso não passa de uma mera utopia.
O mais impressionante é nossa capacidade de cometermos os mesmos erros, sempre. Muitos ainda acham que a internet seria uma forma de evolução pois poderíamos aprender uns com os outros observando comportamentos diferenciados em um local sem barreiras, onde a um “clic”, posso observar comunidades de jovens do outro lado do mundo e perceber como lidam com determinada situação cotidiana.
De certa forma sim. Hoje sabemos que o “jovem” é mais ou menos igual na maior parte do mundo – que sente necessidades “sociais” parecidas. Sofre das mesmas angústias, tem os mesmos receios e assim segue o mundo.
Falou-se muito sobre os males do bullying no mundo real. Nas marcas deixadas nos pequenos bloquinhos de carbono em formação, em como a necessidade de ações culturais para mudar esse tipo de ação era importante para a formação da cultura de convivência e respeito que queremos hoje. Desta mesma forma foi discutido e ainda o é, o tema “cyber bullying”, que visa as mesmas praticas cometidas no bullying só que através dos links e meta dados compartilhados na internet.
O mais incrível é que, através da observação, vemos apenas o ataque direto, o agressor e o agredido. Esquecemos de algo que, muitas vezes pode ser muito mais violento do que o ataque em si: a invisibilidade. Não o super poder que muitos gostariam de ter por diversos motivos, mas aquele nocivo socialmente, aquele que aplicamos muitas vezes sem perceber, outras para nos “defender” em diversos aspectos. É a invisibilidade que agregamos a outros carbonos na esfera virtual. Pessoas que convivemos, conversamos, rimos, choramos, ajudamos e somos ajudados mas que, dentro de nossas “novas redes sociais”, dentro de nossos “círculos de avatar”, muitas vezes preferimos não agregar, mostrar, adicionar.
Como nos filmes americanos de problemáticas da “high-school” americana, sempre existe a personagem do bem, que diante de um conflito de aparências, poder ou status, ainda que converse com o “patinho feio” ou o “esquisitão”, na sua “rede social” ele não existe, ou seja, seu “Avatar” não pode aparecer linkado a ela.
Isso é o que eu chamo de cyber bullying velado, pois não percebemos o que fazemos, ou fazemos acreditando não danificar, não machucar ou sendo de menos importância.
Experimente ser ignorado por um dia, por amigos do trabalho, familiares ou amigos e veja o que isso lhe causa. O mesmo hoje estamos fazendo, ao construirmos nossas “redes sociais auto-promocionais”.
*holografia – referência de Judith Zuquim para nossos “avatares” - Saudades de você!)
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Cyber Bullying VELADO
Postado por Jack Lake às 10:33 1 comentários
Marcadores: conduta, cyberbulling, invisibilidade, redes sociais
segunda-feira, 11 de maio de 2009
A Natureza Digital e a REAL ameaça da Internet
É bastante comum encontrarmos matérias em jornais e revistas alertando pais, professores e até mesmo usuários sobre os perigos encontrados na internet. Não entrando, obviamente no mérito destas, quando alertando para ataques de segurança, consumo energético ou ergonomia ao utilizar, mas vamos para as temáticas mais, digamos, polêmicas:
Na internet o jovem se expões demais; Pessoas utilizam perfis falsos para alcançar objetivos ilícitos ou imorais; Colegas utilizam a internet para a prática do Cyberbulling; Praticas gerais de condutas “imorais” e “expositivas de terceiros”... e por ai vai.
Isso nunca foi, nem será novidade, dentro do universo digital ou no próprio convívio do carbono. As pessoas se sentem completamente escandalizadas quando, na internet, a filha de alguém ou um jovem qualquer tem suas fotos expostas de forma extremamente viral.
As pessoas escrevem seus perfis colocando tantos dados reais que não me estranharia em nada um usuário qualquer colocar telefone, rg, cpf e afins.
Dentro das escolas, os alunos ameaçam não só outros alunos, mas professores, diretores e demais funcionários.
As pessoas continuam a praticar o “ilegal” e o “imoral” em qualquer parte do planeta.
O ponto em questão é que a internet é utilizada por milhares e milhares de pessoas. Desta forma, tudo o que ali acontece, parece ter um peso moral muito maior. É exigido das empresas “.com” éticas que a própria sociedade não consegue seguir.
Exemplos:
O usuário que se expõe na internet é o mesmo jovem predisposto a abrir a porta para um entregador de flores ou qualquer outro tipo de conduta de risco que possa, futuramente, lhe trazer consequências desagradáveis dada a má intenção de terceiros;
É por demais comum pessoas mentirem em currículos, entrevistas, encontros pessoais, negociações e inter-relações que gerem qualquer forma de lucro – seja monetário, afetivo ou social – para uma das partes envolvidas;
Todos os dias, os jornais tentam em vão, noticiar casos de espancamentos de jovens por “diversão”, ameaças a funcionários de instituições de ensino – seja privada ou pública – casos de assédio em trabalho, igreja, comunidades em geral;
Sempre existe alguém comentando ou divulgando – seja prazer, negócio ou má intenção – práticas sexuais ou eróticas, sem consentimento ou por vingança, mágoa, ressentimento ou qualquer outro tipo de sentimento negativo.
E assim é a realidade, desde muito antes da invenção da internet, então, por que o universo virtual é tido por muitos como o grande poço de maldade? Por que a internet é vista por outros tantos, como a causadora de “novos males modernos” se eles nada mais são do que re-apresentações, o famoso “mais do mesmo”, de antigas falhas sociais que sempre existiram?
Acredito que as pessoas hoje, assim como eu em diversas atitudes, estão tão saturadas das mesmas agressões, violências e impotências, que preferem banalizar o carbono, voltam os olhos para o virtual, e encaram tudo como novo.
Só se esquecem – ou se omitem – que a internet é uma virtualização de PESSOAS, e não um organismo vivo, consciente, independente e primordialmente mal. Este é o carbono e a internet não se trata de computadores, cabos, fios e imagens;
O universo virtual é carbono: Pixelado, Digitalizado, Empacotado e Transportado.
Postado por Jack Lake às 14:35 1 comentários
Marcadores: banalização, conduta, cyberbulling, ética, exposição, moral