Então,
Ontem, conversando com uma professora de português da rede estadual de São Paulo:
Profª - Não aguento mais! Se aquelas professoras me pedirem o selo e o envelope mais uma vez, vou até a secretaria reclamar.
Eu - Nossa, mas por que elas querem isso?
Profª - Para fazer uma atividade educativa.
Eu - Como assim?
Profª - A, ensinar o que é destinatário, o que é remetente e colocar a cartinha no correio...
Pausa - Atividades extras, educacionais, que saem do padrão livro/caderno são sempre bem-vindas então, palmas para a iniciativa!
Eu - Mas, correio? carta? quem vai ao correio colocar cartas? (pensei: "por que não ensinar o que é Cc e Bcc?")
Profª - Ah, é mais pra ver se eles sabem "escrever"... sei lá.
Pausa - na 3ª série? eu tenho que checar se eles sabem ESCREVER o próprio nome e um endereço? na 3ª série???
Eu - É, por ai se vê que a "escola pública" está extremamente preparada para ensinar e a perceber o ambiente em que as crianças DE HOJE se encontram né?
Profª - (olha misto de vergonha e compreensão).
Fim de papo...
Ontem também só foi possível esse papo por que, gripado como estou, fiquei em casa a base de canjas, remédios, cobertores e afins, pra ver se melhorava... MAS, como trabalho com tecnologia, dentro do Maior Programa de Inclusão Digital do estado de São Paulo, pensei:
"Se me mantiver conectado, posso conversar com meus colegas de trabalho e ir dando andamento em tudo que for possível a distância, e vamos nos falando - temos Gmail, Gtalk, Skype, MSN, telefone, etc."
Ledo engano. Essas pessoas que estão comigo hoje, também foram educadas pelo mesmo modelo de ensino que não é capaz de observar o próprio ambiente que o cerca, tirar proveitos, absorver o que se tem de melhor e entender as vicissitudes da vida moderna. As pessoas que trabalham no maior centro de processamento de dados do estado, por exemplo, se conectam umas as outras através de um sistema de correio eletrônico fechado (lotus notes), tem suas conexão fechadas por firewalls - afinal, msn, youtube, jogos, tiram a produtividade - não conseguem absorver ou compartilhar, muito menos se aproveitar de ferramentas comuns, à não ser aquelas dispostas pela empresa.
Não vou estranhar absolutamente nada, se ainda hoje alguém me disser: "É, ontem você não trabalhou... ficou em casa só reclamando." Ou seja, até mesmo onde trabalhamos, o problema do analfabetismo FUNCIONAL é muito mais complexo e real do que imaginamos.
É preciso com urgência a adoção de modelos de trabalho, educação, colaboração e construção mais atentos ao universo em que se está agora. É necessário que as pessoas compreendam suas funções, seus objetivos e seus locais de trabalho, que realizem que estamos a um passo de uma vida com mais qualidade mas as amarras do corporativismo arcáico, do terno e gravata preto e camisa branca, hoje, são nossos maiores inimigos.
Tive vergonha de trabalhar com I.D. e perceber que vendemos a idéia de oportunidades de crescimento, de praticidade e não praticamos...
E você ai que está lendo... quando foi a sua ultima ida ao correio?
terça-feira, 28 de abril de 2009
A necessidade da educação moderna
Postado por Jack Lake às 10:33 2 comentários
Marcadores: anafabetismo, Educação, Governo, Inclusão Digital, Internet, trabalho
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Art.153, I, da Constituição Federal Vs Santa Efigênia
Segundo uma pesquisa do IBL, estamos comprando produtos ilegais. Eles tem razão.
A pergunta é: POR QUÊ?
Somos desonestos? SIM!
O ponto é "combater pirataria" por que prejudica o mercado ou por que a polícia fica sem "caxinha" todo final de ano?
Essas pesquisas mostram um lado da notícia, que diz que o Brasil alimenta o crime, o tráfico e a ilegalidade. Por que nunca ví um site do GOVERNO FEDERAL, com uma pesquisa que mostre a importância de um reforma tributária URGENTE?
Por que tenho 31 anos e a horrível sensação de ouvir quase uma vez por semana que "a reforma tributária isso..." ou "aquilo"... e nunca sai?
Experiência:
Experimente comprar algo pelo e-bay acima de USD 50,00. Caso você seja "pego" na famosa "malha fina" da alfândega, eles lhe cobrarão um imposto... sabe o que é mais legal? É IMPOSSÍVEL saber de quanto é esse imposto...
Agora me diga, nesta hipótese:
Eu compro algo pelo e-bay. Pessoa Física. Recebo pelo correio depois coloco no Mercado livre pra vender... eu estou AGINDO ILEGALMENTE???
E no caso das assim chamadas - importações legais... - será que resolver essas contas desleais não é mais importante?
Por que é tão fácil para os economistas dizerem que "Os Estados Unidos e a União Européia estão tomando medidas protecionistas..." - Será que eles esqueceram a loucura de nossos impostos? Como podemos dizer que é uma medida protecionista se cobramos impostos encima de importações de produtos que NÃO TEMOS concorrência??
Eu tenho vergonha deste país, que sempre, SEMPRE vai disparar pesquisas e "tapar o sol com a peneira".
Postado por Jack Lake às 15:39 0 comentários
Marcadores: crime, e-bay, Governo, IBL, pirataria, protecionismo, reforma tributária
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Cabe aqui mais um protesto?
Não é comum da minha parte, blogar mais de uma vez no mesmo dia. Em média, um post por semana, mas o assunto pareceu tão similar ao do post de hoje, que resolvi dar mais uma blogada e tentar ilustrar o que digo:
Vi uma reportagem que diz:
Counter-Strike proibido em Lan House.
Também venho acompanhando de perto, todas as reportagens e comentários, blogadas e afins, sobre o controle da internet em países como China e por ai vai...
Precisamos urgentemente de uma mudança de cultura, de ação, e não recorrer a antigas fórmulas de repressão e controle, dentro de um universo virtual completamente novo.
Bloquear sites, proibir jogos, isso não dá resultados. Será que as autoridades não percebem isso? Proibir a entrada de um jovem a qualquer tipo de conteúdo é, no mínimo, uma incoerência das mais graves. Estamos fazendo com eles, o que o sistema carcerário faz com nossos detentos: Criando e formando novos criminosos.
Sim, digo isso, até sem nenhum exagero, pois sabemos que, a preocupação das "autoridades", é para com os jovens e adolescentes (que todos nos sabemos que estão na melhor idade para aprender o que quiserem). Fazemos as proibições, e eles descobrem jeitos de burlar, cada vez mais eficientes. Estamos dando forças para uma cultura Hacker, no MAL sentido da cultura. Estamos ao invés de olharmos nossas fraquezas sendo expostas cada vez com mais BANALIDADE e nos preocuparmos com isso, forçando empresas a pagarem por nossa inconpetência.
Vamos analisar um ponto?
O Jogo - Counter Strike - é, uma modificação do jogo Half-Life, da Valve. Quem fez? Um adolescente, ou vários. Isso gerou lucro? Sim - eles venderam o projeto para a EA e agora estão empregados, trabalhando e desenvolvendo cada vez mais. Código-Aberto! essa é a chave. Agora, vamos lá, se você vai personalizar seu telefone, desktop ou sua sala... você vai fazer de acordo com sua realidade, concorda? Por que você colocaria como Papel de Parede do seu desktop a foto de um Boeing 747, se seu maior interesse é o 15 de piracicaba? Ou sua namorada (o)?
O Governo ainda não percebeu (o que acho que não é o caso, e sim uma falta de estratégia de ação mais efetiva) que coibir a internet, ou tentar aplicar as mesmas regras do carbono, dentro do virtual não funciona.
Afinal, o Virtual derruba até mesmo a Lei da Gravidade...
Postado por Jack Lake às 14:53 1 comentários
Marcadores: controle, Counter Strike, Educação, Governo, Manifesto, Movimento, Open Source, Protesto, Videogame
terça-feira, 27 de março de 2007
Conexão Aberta - Internet como política pública!
Fome-Zero, Bilhete Único, Amigos da Escola, Bolsa Família, Bolsa Escola, Ação Global...
Programas que se alimentam de falhas dos governos e/ou governantes. Falhas que deveriam ser superadas ao longo dos anos... Ou não.
Todos os programas são, ao menos, questionáveis, por milhares de vertentes e óticas as quais, certamente, não chegarão a um acordo jamais.
Porém, não sei quantos anos teríamos que voltar historicamente, para sabermos se, antes, não havia programas como: "Saneamento para todos" ou "Luz já!" Ou até mesmo "Asfalto agora".
Por que tudo isso está incorporado à maioria dos governos como a chamada Política pública. Ou, um direito do cidadão, responsabilidade dos governos e ação natural para o desenvolvimento de uma pequena cidade.
Quando elegemos nossos governantes, já temos a certeza de que, não importa o partido, o rótulo, ou a loucura presente naquele eleito, sabemos que, ele querendo ou não, haverá uma parte do orçamento destinada a, pelo menos, manutenção do que já está lá. Se haverá aumento, diminuição de taxa, expansão, bom... Isso são outros 500. Mas o correto é dizer que:
Através de ações e projetos, públicos, privados ou governamentais, diversas dessas ações se tornam políticas públicas. Necessidade básica.
Hoje, num mundo digital, quase fundamental na vida de milhares, programas de inclusão digital se espalham aos montes e vem ajudado a conscientizar a população para o uso de serviços digitais, melhorado a forma como o governo se comporta diante a soluções burocráticas e colaborado para um mundo talvez mais informado, mas certamente mais colaborativo.
É chegada a hora desses assim chamados programas de inclusão digital moverem seus esforços não mais em forma a promoverem-se e sim tornarem a Internet uma necessidade básica, tão básica quanto água e luz, saúde, transporte etc. Afinal, é disso que se trata à internet, não?
Talvez, numa tarde tranqüila, possamos discutir sobre isso, mas é fato que, posso encontrar todas essas coisas ao digitar uma simples URL.
O Governo possui programas para compra de maquinário, tais como "computador para todos" etc. Ou seja, ele está assumindo que, para sua população, ter um computador em casa já não é mais uma realidade distante.
Estaria o governo tentando aprisionar esses possíveis INTERNAUTAS como apenas espectadores distantes? Estaria o governo com medo da assim chamada "Participação Pública"?
Acredito que não mais! Hoje começa uma nova jornada pela distribuição livre de conexão, de banda, de acesso mundial!
Acredito que estejamos no caminho certo, mas devemos ficar de olho...
Postado por Jack Lake às 11:13 2 comentários
Marcadores: Governo, Inclusão, Inclusão Digital, Internet, Política Pública